Descumprimento de contrato: o que é, como agir e evitar prejuízos

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O descumprimento de contrato ocorre quando uma das partes deixa de cumprir total ou parcialmente as obrigações estabelecidas em um acordo. Essa situação pode gerar prejuízos financeiros, conflitos e até ações judiciais, dependendo da gravidade do caso.

Neste artigo, você vai entender o que caracteriza essa situação, quais são seus efeitos e como agir diante de um descumprimento.

Acompanhe a seguir!

O que é descumprimento de contrato?

O descumprimento de contrato, também chamado de inadimplemento, ocorre quando uma das partes não cumpre as obrigações estabelecidas no acordo. Isso pode acontecer de várias formas e gera consequências jurídicas para quem falhou.

Vale destacar que descumprimento de contrato no Brasil é regido principalmente pelo Código Civil (Lei 10.406/2002), permitindo que a parte lesada exija o cumprimento forçado ou a resolução do contrato (cancelamento).

O que caracteriza descumprimento de contrato?

O descumprimento de contrato acontece quando uma das partes deixa de cumprir qualquer cláusula ou condição estabelecida no documento assinado. Em outras palavras, ele é caracterizado pela quebra da expectativa jurídica e pela violação do que foi pactuado.

Confira as principais formas de descumprimento:

  • Inadimplemento absoluto: a obrigação não foi e não pode mais ser cumprida ou perdeu a utilidade para o credor;
  • Inadimplemento relativo (mora): atraso injustificado no cumprimento da obrigação, que ainda pode ser sanado;
  • Cumprimento imperfeito/parcial: a obrigação foi realizada, mas de forma incorreta ou incompleta.

O que fazer em caso de descumprimento de contrato?

Se você estiver diante de um descumprimento contratual, o caminho mais seguro é seguir uma estratégia que proteja seus direitos e minimize prejuízos. Sendo assim, algumas alternativas recomendadas são:

Analise o contrato e reúna provas

Antes de qualquer ação, revise as cláusulas para entender exatamente o que foi violado. Para isso:

  • Identifique a falha: foi atraso, entrega parcial ou falta de qualidade?
  • Verifique as penalidades: procure pela “cláusula penal”, que define as multas por descumprimento;
  • Junte evidências: guarde e-mails, prints de mensagens, fotos, notas fiscais e comprovantes de pagamento.

Tente uma solução amigável

Muitas vezes, uma conversa direta resolve o problema sem necessidade de custos extras. A recomendação é entrar em contato com a outra parte para entender o motivo do atraso ou falha.

Se chegarem a um novo acordo (como um novo prazo), formalize isso por escrito (um aditivo contratual).

Envie uma notificação extrajudicial

Caso a conversa informal não funcione, formalize a cobrança. A notificação extrajudicial serve como prova de que você tentou resolver o conflito e constitui a outra parte em mora (atraso oficial).

  • Envie via Cartório de Títulos e Documentos ou por e-mail com confirmação de leitura;
  • Estipule um prazo razoável para que a obrigação seja cumprida.

Avalie a rescisão ou execução

Se a notificação for ignorada, você tem dois caminhos principais:

  • Exigir o cumprimento: forçar a entrega do que foi prometido;
  • Rescisão contratual: encerrar o vínculo e pedir a devolução de valores pagos, além da aplicação da multa prevista.

Medidas jurídicas

Se o prejuízo for alto ou não houver acordo, o próximo passo é buscar a via judicial. Algumas opções são:

  • Juizado Especial Cível (Pequenas Causas): para causas de até 40 salários mínimos. Se o valor for até 20 salários mínimos, você pode entrar sem advogado, embora ter um seja recomendável;
  • Justiça comum: para valores elevados ou casos que exijam perícias técnicas complexas.

Contudo, lembre-se de verificar se o seu contrato possui uma cláusula de arbitragem. Se houver, a disputa deve ser resolvida em uma câmara arbitral e não na justiça comum.

Qual é a penalidade por um descumprimento de contrato?

As penalidades por descumprimento de contrato variam conforme o que foi assinado e a natureza da falha. Elas servem para compensar a parte prejudicada e desestimular a quebra do acordo.

Nesse sentido, as principais penalidades são:

1. Multa contratual

É a penalidade financeira mais comum. Ela pode ser de dois tipos:

  • Moratória: aplicada em casos de atraso. Em geral, é um percentual sobre o valor da parcela ou do contrato;
  • Compensatória: aplicada quando a obrigação é totalmente descumprida ou o contrato é rescindido. O valor costuma ser mais elevado, como uma porcentagem fixa do valor total do negócio.

2. Juros de mora

Diferente da multa, os juros incidem sobre o valor devido ao longo do tempo. Na ausência de previsão específica no contrato, a lei brasileira costuma aplicar 1% ao mês.

3. Indenização por perdas e danos

Se a multa prevista não cobrir o prejuízo real causado pela quebra, a parte prejudicada pode ir à justiça pedir uma complementação. Isso abrange:

  • Danos emergentes: o que você efetivamente perdeu de dinheiro;
  • Lucros cessantes: o que você deixou de ganhar por causa do descumprimento.

4. Retenção de arras (sinal)

Em contratos de compra e venda, se quem deu o sinal desiste do negócio, ele perde esse valor para a outra parte. Se quem recebeu o sinal descumprir o contrato, deve devolvê-lo em dobro.

5. Rescisão com perda de benefícios

O descumprimento pode gerar a perda de descontos concedidos, vencimento antecipado de todas as parcelas futuras ou a suspensão imediata de serviços e licenças de uso.

6. Honorários advocatícios e custas

Muitos contratos preveem que, em caso de necessidade de acionamento judicial ou cobrança por advogados, a parte infratora deverá arcar com os custos desses profissionais e as taxas do processo.

Ponto de atenção: a lei brasileira proíbe multas abusivas. Se o valor da penalidade for superior ao valor da obrigação principal ou manifestamente excessivo, um juiz pode determinar a sua redução.

Conclusão

Evitar o descumprimento de contrato começa com a elaboração de acordos claros, detalhados e alinhados às expectativas das partes. Quando as obrigações estão bem definidas, as chances de conflitos diminuem consideravelmente.

Ainda assim, caso o descumprimento ocorra, agir rapidamente e com base na legislação é essencial para reduzir impactos e encontrar soluções eficazes. Dessa forma, é possível proteger seus interesses e manter relações mais seguras no futuro.

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