Contratos empresariais: o que são, tipos e como elaborar corretamente

Imagem de destaque para artigo sobre contratos empresariais publicado no Blog Assinei (Créditos: Shutterstock)

Os contratos empresariais são fundamentais para garantir segurança jurídica, transparência e boas relações comerciais entre empresas. Mais do que simples documentos, eles formalizam acordos, protegem interesses e evitam conflitos que possam comprometer o desempenho do negócio.

Neste artigo, você vai entender a importância dos contratos empresariais, conhecer os principais tipos e aprender a elaborá-los da forma correta.

Confira a seguir!

O que são contratos empresariais? Para que servem?

Os contratos empresariais são instrumentos jurídicos que formalizam um acordo estabelecido entre duas ou mais partes no contexto de uma atividade comercial ou empresarial.

Em geral, esses contratos envolvem empresários (pessoas jurídicas ou físicas que exercem profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens e serviços) e têm como objeto um negócio jurídico relacionado à exploração dessa atividade.

Sendo assim, um contrato empresarial estabelece:

  • Direitos e obrigações recíprocas entre as partes;
  • Termos e condições da transação (o que será feito, como, quando e por quanto).

Contudo, embora a lei brasileira não tenha uma definição única e específica para contrato empresarial, ele é regido pela teoria geral dos contratos (Código Civil) com as peculiaridades e princípios do Direito Empresarial.

Quais são os princípios dos contratos empresariais?

Os contratos empresariais são regidos pelos princípios gerais da teoria contratual do Direito Civil (previstos no Código Civil brasileiro), mas com ênfase e interpretação que refletem a dinâmica e as necessidades do Direito Empresarial.

Nesse sentido, os princípios mais importantes que norteiam os contratos empresariais são:

1. Autonomia da vontade ou liberdade contratual

Este princípio representa o pilar do direito empresarial. Nos contratos entre empresários, as partes possuem ampla liberdade para decidir se querem contratar, com quem contratar e o que estipular no contrato.

Em outras palavras, as partes são livres para regulamentar seus interesses, criando cláusulas que melhor se adequam à sua atividade econômica e aos seus objetivos de lucro.

Sendo assim, nos contratos empresariais as partes são consideradas simétricas ou “paritárias” (com igual poder de negociação). Logo, o judiciário tende a intervir menos, prezando pelo que foi livremente pactuado.

A Lei da Liberdade Econômica (Lei nº 13.874/19) reforçou essa autonomia, exigindo intervenção mínima do Estado na relação entre empresários.

2. Força obrigatória dos contratos (Pacta Sunt Servanda)

Este princípio é a garantia de que o contrato faz lei entre as partes e deve ser cumprido integralmente. Portanto, uma vez assinado e legalmente válido, o contrato gera obrigações que devem ser rigorosamente observadas.

Em geral, esse princípio é fundamental, pois o não cumprimento de um contrato pode gerar um efeito cascata em toda a cadeia produtiva e causar grandes prejuízos financeiros.

3. Boa-fé objetiva

O princípio da boa-fé objetiva exige que as partes ajam com honestidade, lealdade e transparência durante todas as fases do contrato: nas negociações preliminares, na sua execução e no pós-contrato.

4. Função social do contrato

Este princípio estabelece que o contrato não pode ser visto apenas como um instrumento para satisfazer os interesses individuais das partes, mas deve também atender aos interesses da coletividade.

Princípios derivados e implícitos

Além dos pilares citados, no direito empresarial se destacam:

  • Obrigatoriedade da revisão por onerosidade excessiva: é o contraponto ao Pacta Sunt Servanda. Permite a revisão do contrato se um evento imprevisível e extraordinário (como uma grande crise econômica ou guerra) tornar a obrigação de uma das partes excessivamente onerosa, desequilibrando o negócio original;
  • Proteção do contratante economicamente mais fraco: embora a premissa seja a de simetria entre empresários, a lei permite a flexibilização da autonomia da vontade quando for comprovada uma assimetria real de poder ou vulnerabilidade de uma das partes empresárias.

Quais são os tipos de contratos empresariais?

Os contratos empresariais são muito variados e podem ser classificados de diversas formas (bilaterais, onerosos, consensuais, etc.). Na prática, costumam ser agrupados pela finalidade econômica que possuem dentro da atividade da empresa.

Aqui estão os principais tipos de contratos empresariais, organizados por suas funções:

Contratos de troca e comércio

São os mais comuns e envolvem a transferência de bens, serviços ou valores.

  • Contrato de compra e venda mercantil: essencial para a atividade empresarial, formaliza a aquisição ou a venda de mercadorias, insumos, matéria-prima ou bens destinados à revenda ou uso na produção;
  • Contrato de fornecimento: usado para garantir o abastecimento contínuo e regular de um produto ou serviço por um período determinado. É vital para a estabilidade da cadeia de suprimentos;
  • Contrato de prestação de serviços: regula a contratação de serviços de terceiros (consultoria, marketing, TI, etc.), definindo escopo, prazos, remuneração e responsabilidades.

Contratos de colaboração e parceria

Esses contratos visam integrar esforços e recursos para atingir um objetivo comum. Alguns exemplos são:

  • Contrato de franquia: permite que um franqueado utilize a marca, o know-how e o sistema de gestão de um franqueador, mediante pagamento de taxas. É um modelo de expansão de negócios;
  • Contrato de distribuição ou concessão: uma empresa (distribuidora ou concessionária) assume a obrigação de promover a circulação dos produtos da outra em uma determinada região;
  • Joint Venture (parceria estratégica): acordo para que duas ou mais empresas unam recursos para um projeto específico ou por um tempo determinado, compartilhando riscos e lucros, sem criar necessariamente uma nova pessoa jurídica;
  • Contrato de representação comercial (agência): o representante atua na mediação de negócios em nome do representado, em caráter não eventual e sem vínculo empregatício.

Contratos de financiamento e garantia

São documentos que regulam o fluxo de capital, empréstimos e a proteção de obrigações:

  • Contrato de arrendamento mercantil (leasing): uma empresa aluga um bem (máquina, veículo) por um prazo, com a opção de comprá-lo ao final. É uma forma de financiamento;
  • Contrato de factoring (fomento mercantil): uma empresa (faturizada) cede seus direitos de crédito (cheques, duplicatas) a uma factoring (faturizadora) em troca de dinheiro imediato, mediante um deságio;
  • Contrato de mútuo: empréstimo de bens fungíveis (geralmente dinheiro), no qual o mutuário é obrigado a devolver o mesmo tipo e quantidade.

Contratos de propriedade intelectual e tecnologia

Essa modalidade lida com o uso e proteção de bens imateriais. São eles:

  • Contrato de licenciamento de software ou marca: permite que a empresa utilize um software ou uma marca comercial pertencente a terceiros, sob condições específicas, sem transferir a propriedade;
  • Contrato de cessão de direitos: transfere a titularidade de um direito (como direitos autorais ou patentes) para outra empresa;
  • Acordo de confidencialidade (NDA – Non-Disclosure Agreement): essencial para proteger informações sensíveis da empresa durante negociações ou parcerias, impedindo que a parte receptora divulgue dados sigilosos.

Contratos de organização societária

Em geral, estruturam a própria existência e funcionamento da empresa, como:

  • Contrato social: documento fundamental que define as regras de funcionamento de uma sociedade (como LTDA), incluindo participação dos sócios, capital social, administração e objeto social;
  • Acordo de sócios ou acionistas: complementa o contrato social, estabelecendo regras de convivência, direito de voto, mecanismos de solução de impasses e regras de compra e venda de participações entre os sócios.
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Qual a importância dos contratos empresariais?

A princípio, os contratos empresariais são importantes porque transformam intenções e acordos verbais em compromissos legalmente aplicáveis. Confira seus principais benefícios:

Segurança jurídica e minimização de riscos

O principal papel dos contratos empresariais é oferecer segurança jurídica. Afinal, ele formaliza o que foi acordado e elimina a ambiguidade de acordos verbais, garantindo que as obrigações e expectativas de todas as partes estejam claras.

Assim, ao detalhar termos, prazos, preços, especificações e, principalmente, as consequências do não cumprimento (multas, rescisão), o contrato atua como uma ferramenta preventiva, desencorajando o descumprimento e evitando mal-entendidos.

Proteção patrimonial e financeira

Em síntese, contratos bem elaborados são essenciais para proteger os ativos e os fluxos de receita da empresa.

Por meio de cláusulas de indenização, garantias e seguros, é possível proteger o patrimônio da empresa contra perdas decorrentes de falhas ou negligência da outra parte.

Além disso, a definição clara das formas de pagamento, prazos e as penalidades por atraso permite a previsibilidade financeira necessária para o planejamento do negócio.

Estrutura e organização empresarial

Os contratos empresariais fornecem a estrutura necessária para a operação eficiente do dia a dia. Dessa forma, em áreas como fornecimento, distribuição e prestação de serviços contínuos, o contrato estabelece uma rotina de trabalho estável e confiável, permitindo que a empresa se concentre em sua atividade principal.

Em suma, o contrato empresarial é uma formalidade burocrática que proporciona a solidez necessária para que o empresário inove e expanda seus negócios com maior confiança e tranquilidade.

Como fazer um contrato empresarial?

A elaboração de um contrato empresarial eficaz envolve planejamento, clareza e assessoria jurídica. Em outras palavras, não se trata apenas de preencher um modelo, mas de adaptar o documento às necessidades e riscos específicos do seu negócio.

Preparamos um guia com as principais informações que deve conter no documento:

1. Identificação das partes

Qualifique as partes envolvidas, incluindo nomes completos, endereços e informações de identificação.

2. Definição do objeto

Descreva detalhadamente a prestação de serviço, a compra e venda de produtos ou o que for o objetivo principal do contrato.

3. Obrigações e responsabilidades

Especifique claramente o que cada parte deve fazer — ou seja, suas obrigações e responsabilidades. Também inclua detalhes como qualidade, quantidade e prazos de entrega, se aplicável.

4. Termos financeiros e prazos

Defina o valor a ser pago, a data de vencimento e as formas de pagamento. Além disso, estabeleça o prazo de duração do contrato e as datas de execução das obrigações.

5. Cláusulas de rescisão e multa

Inclua cláusulas que expliquem as condições em que o contrato pode ser cancelado antes do término do prazo e as penalidades aplicáveis, em caso de descumprimento.

6. Lei aplicável e foro

Especifique qual legislação será aplicada e o foro competente para a resolução de quaisquer conflitos. Geralmente, no caso do foro, é escolhido o da sede de uma das empresas.

7. Revisão e assinatura

Revise o contrato cuidadosamente para garantir que a linguagem seja clara e objetiva e que todos os termos essenciais estejam presentes.

Por fim, as partes envolvidas e, muitas vezes, um advogado, devem assinar o documento.

Lembre-se: a linguagem deve ser acessível para evitar interpretações erradas e proteger a empresa de possíveis disputas. Além disso, a consulta a um advogado especializado é fundamental para garantir que o contrato atenda a todos os requisitos legais e a proteção dos interesses da sua empresa.

Como a Assinei pode otimizar o processo de elaboração e gestão de contratos empresariais?

A Assinei, como uma plataforma de gestão de assinaturas e documentos digitais, pode te ajudar a otimizar o processo de elaboração e gestão de contratos empresariais por meio das seguintes funcionalidades:

  • Modelos prontos e personalizáveis de contratos;
  • Envio de documentos para assinatura eletrônica com validade jurídica;
  • Centralização e organização de todos os contratos em um único ambiente;
  • Monitoramento do ciclo de vida dos contratos, incluindo prazos e conformidade.

Para a elaboração de contratos

  • Automação da criação: a Assinei permite a criação de fluxos automatizados para a geração e envio de contratos, o que agiliza o processo inicial de formalização de acordos.
  • Validade jurídica: a plataforma oferece a solução de assinatura eletrônica, garantindo a validade legal dos documentos assinados eletronicamente, eliminando a necessidade de impressões e deslocamento de pessoas para assinatura.

Para a gestão de contratos

  • Centralização e organização: a Assinei proporciona um ambiente centralizado para organizar e armazenar todos os documentos na nuvem, com a possibilidade de criar pastas e padrões de identificação para facilitar a localização e o gerenciamento dos contratos;
  • Monitoramento do ciclo de vida de contratos: é possível acompanhar todo o histórico dos contratos, visualizar quais estão vigentes e quais estão próximos do vencimento, facilitando a gestão de prazos e a tomada de decisões;
  • Conformidade e acompanhamento: a plataforma ajuda a monitorar o cumprimento dos termos contratuais e a conformidade com as regulamentações, o que reduz riscos e evita penalidades.

Conclusão

Os contratos empresariais são a base de uma gestão corporativa sólida e profissional. Esses documentos não apenas formalizam acordos, mas também fortalecem a credibilidade e a confiança entre as partes.

Por isso, contar com processos eficientes de elaboração e gestão de contratos é um diferencial competitivo que protege o negócio e impulsiona seu crescimento.

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Gostou desse conteúdo? Então, aproveite e leia nosso artigo sobre automatização de contratos.

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